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Professor da USP pesquisa influência da televisão na educação infantil

Docentes ainda não reconhecem as crianças como produtoras de cultura, informa a Agência USP

Uma pesquisa da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo sobre a influência da televisão nas crianças e seus reflexos na educação infantil revela que os professores ainda não reconhecem as crianças como produtoras de cultura, informa a Agência USP.

Na opinião do autor do trabalho, Aldo Pontes, essa percepção prejudica a formação das crianças para um olhar reflexivo sobre a programação televisiva.

Intitulada “A educação das infâncias na sociedade midiática: desafios para a prática docente”, a pesquisa foi realizada com duas professoras e suas classes em uma escola pública municipal de educação infantil da região de Campinas, no interior paulista.

O estudo foi realizado por meio de entrevistas, fotografias e vídeos e procurou saber as concepções de infância das professoras e se elas identificavam influência da televisão na educação das crianças.

“Após essa primeira etapa, tentamos identificar que saberes teóricos e metodológicos poderiam contribuir para uma formação (continuada) de professores que assegure uma educação com, para e por intermédio de mídias na Educação Infantil”, disse Pontes ao repórter Paulo Roberto Andrade.

Na opinião do professor da USP, as crianças já chegam à escola alfabetizadas pelas mídias, especialmente a televisiva. No início da pesquisa, as professoras não percebiam influência da TV na aprendizagem das crianças, verificavam apenas influências em desenhos e brincadeiras. Ao final, tinham certeza sobre a influência da TV no processo educativo das crianças.

Ele constatou também que os professores ainda se sentem inseguros e angustiados sobre como abordar os programas da televisão na sala de aula. “Alunos do curso de formação de professores reclamam não saber o que fazer quando a programação televisiva invade o cotidiano escolar, sobretudo quando percebem que essas consomem programas nada adequados a elas, ou até mesmo quando as brincadeiras ganham um tom mais violento, conforme aquilo que veem na TV”, afirmou ele à agência de notícias da universidade.

Aldo Pontes verificou também que práticas pedagógicas com mídias podem ser inúteis quando mal executadas. Ou seja, de nada adianta o uso de sofisticados recursos tecnológicos se não há uma intenção pedagógica que dê sentido àquele processo de ensino aprendizagem.

“É preciso que a escola passe a compreender as crianças como sujeitos sociais ativos, ou seja, não apenas consumidores, mas produtores de cultura, e que passe efetivamente a respeitá-las, assegurando-lhes o direito a voz e a participação social, inclusive em seu processo educativo”, disse.

Source: www.cgceducacao.com.br/canal.php?c=1&a=14022

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